terça-feira

As coisas que aprendi com Chapolin

1. Automação residencial nada mais é que um sujeito chamado Pepe.
2. Existe uma grande diferença entre pedras e aerolitos.
3. As Anteninhas de Vinil são mais eficazes e úteis que um cinto de utilidade.
4. Jamais esqueça de colocar os parafusos na Cabeça do seu mordomo-robô.
5. Parangaricotirimícuaro é abracadabra em espanhol
6. O Poucas-Trancas mora na Barrafunda.
7. O extrato de energia volátil não é para principiantes.
8. Todos os fantasmas, vampiros e múmias são, na verdade, bandidos disfarçados.
9. ETs existem. E seus discos voadores podem ser controlados por um Nintendo Wii.
10. Ser um espião famoso não é um bom negócio.
11. Alguém conheceu a Disneylândia com o Polegar Vermelho.
12. Quando você não sabe o desfecho de um provérbio termine com "A ideia é essa, é mais ou menos isso..."
13. A Marreta Biônica é uma mistura do martelo do Thor com um bumerangue, pois sempre volta às mãos do Chapolin.
14. Se a NASA pretende ir até Marte em 2018, o Chapolin foi em 1973.
15. Se a tripulação já comeu tudo não há motivo para eles terem fome.
16. Duendes se parecem muito com marionetes mambembes. E bebem água da Jamaica.
17. Nunca acredite nos mortos. Eles são muito mentirosos.
18. A mãe da criança que Salomão sugeriu dividir é "esta aqui que tá aqui atrás".
19. A moeda vigente tem sua cotação baseada em dois dólares. Ou um saquinho de alfafa.
20. Uma coisa é ser Sansão, a outra é usar a peruca.
21. A Elba Ramalho é do Planeta Vênus.
22. Se alguma missão espacial da NASA se perder no universo, é só usar o código espacial universal SBBHQK para voltar para terra.
23. O real nome da Branca de Neve é Patricia Espinolha, mas ela gostava tanto de bolo de côco que a apelidaram assim.
24. A combinação chroma-key + tinta amarela te deixa invisível.
25. Companhias de energia elétrica devem orientar seus funcionários para não medir a energia de templos japoneses. Motivo: Simpato Yamazaki.
26. O nome completo do personagem é Chapolin Pataleon Colorado y Roto.
27. Um bebê de Júpiter é gigante perto de qualquer adulto.
28. Chirrin-Chirrion é o Ctrl C / Ctrl V dos anos 70.
29. Pulgas podem ser amestradas e possuir seu próprio circo.
30. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas o mais certo é "quem sabe?".
31. Para que o louco não se enfureça evite contrariá-lo. Tem que imitá-lo. Etc, etc, etc...
32. Se o ítem acima falhar, use narcótico. Ele coloca até privadas e latas de lixo para dormir, por que não colocaria um louco furioso?
33. Uma máquina para trocar cérebros nada mais é do que dois abajures ligados por fios.
34. Nunca procure um médico em dia de futebol.
35. Há um ditado de Navegante que diz: se quando viaja faz o que quer, quando viajar não leve a mulher.
36. "Reentegro", "Patas de galinha", A CIA e o FBI têm muito o que aprender sobre codificação de mensagens...
37. Nunca confunda mordida de cobra com o zíper da calça.
38. Algumas coisas não importam um honorável pouquinho.
39. Se alguém comparar o braço com As Pirâmides do Egito responda comparando o seu com o Colosso do Ceará.
40. Dançar mambo com os gêmeos.
41. Se você fumar e for gordo, você fatalmente se torna um círculo vicioso.
42. "Não tava morto, só andava falecido" foi um grande hit mexicano nos anos 70.
43. Para atravessar a fronteira, basta um salvo-conduto. Se ele estiver vencido, veja quem o derrotou.
44. Inglês é fácil. Basta falar as palavras ao contrário.
45. Nunca desconfie dos empregados em caso de roubo. Eles são pobres, porém honrados.
46. Um dos maiores mistérios da humanidade gira em torno do que há no saquinho do Dr. Chapatin.
47. Em momentos de crise, SuperSam diria "Time is money! Ohhhh yessss!"
48. Quando você se disfarça de pedra, você se torna uma pedra

quarta-feira

Pra Fazer um Samba com Beleza

Porque todos os contos de fadas terminam com "...e viveram felizes para sempre", mas nunca contam exatamente como essa parte da história? Porque seria, tenho certeza, mais inverossímil que abóbora virando carruagem, ou príncipe fazendo rapel nas tranças da Rapunzel (aliás, eu sempre achei que "rapel" vinha de "Rapunzel"...será?). Ninguém, nem nos contos de fadas, é feliz pra sempre _nem pode ser.
Num de seus livros, Freud cita uma frase de Goethe, escritor alemão: "Nada é mais difícil de suportar do que uma sucessão de dias belos", e depois comenta: "Mas isso pode ser um exagero". É um exagero, penso eu, já metendo o bedelho humildemente, na discussão dos dois grandes pensadores. Muito pior uma sucessão de dias belos, é uma sucessão de dias feios. Ou uma sucessão de chicotadas, boladas no estômago, chifres do namorado...
Mas o que Goethe quis dizer, e Freud ressaltar, é que a felicidade, se for sempre seguida de felicidade, perde a graça. Por isso os dias feios, as chicotadas, as bolas no estômago, e os chifres do namorado são importantes. Sem o contraste dos momentos de sofrimento, somos incapazes de ter momentos felizes.
Mais ainda, acredito que só é capaz de viver a felicidade, quem está aberto para a tristeza (nunca é o fim do mundo...até 2012 tenho certeza disso). É como se a emoção fosse um aparelho de som que tem volume, mas não tem equalização. Se a gente aumenta os graves, aumenta os agudos junto. Se formos nos fechando, nos protegendo da dor, das crises, do desconhecido, a gente se machuca menos, mas também, vive as partes boas com menos intensidade. Além disso, sofrer é fundamental para crescermos e vermos o verdadeiro tamanho das coisas. Vinícius de Morais escreveu um samba que diz assim:

“É melhor ser alegre que ser triste / Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração / Mas pra fazer um samba com beleza /
É preciso um bocado de tristeza (...) / Se não, não se faz um samba não.”

Somos bombardeados com a ilusão de sermos felizes para sempre, ou, dito de outra forma, sempre felizes. Seja nas propagandas de margarina, nas revistas inúteis de celebridades ou naqueles adesivos do tipo “você já sorriu hoje?”. Há uma idéia de que a melhor vida é a de quem está sempre com um sorriso de orelha a orelha. Bobagem. Sofrer não só é inevitável, como fundamental. É nas crises que a gente muda, descobre onde aperta o sapato e inventa novos caminhos. Quem sorri o tempo todo, ou está usando uma dentadura maior que a boca, ou nunca parou pra pensar na vida.
Sofrer, pensar, chorar, mudar...dá trabalho, mas é o preço da nossa autonomia.


(relaxa amiga, na vida só não é passageiro o motorista e o cobrador. ARRARRÁ!humor, mesmo semi-inexistente é fundamental! ;D )

Esternocleidomastoideu. O músculo do pescoço

Vi uma vida com alguém que não estava lá; e filhos, que também não haviam nascido, brincavam numa ceia que não existia.Desfaziam brincadeiras. Desistiam. Não culpe o calor modorrento. Corre. Corre e apenas vai. O desimportante é a falta de rumo. A velocidade vem voando, vencendo vidas, voando vezes. Vencendo vigas. Vingando a mão.
Falece o rubor da face, em fases tras dor. Em outras rancor. Algumas vezes, somente_ e quem sabe, amor.
Que piada! Rói a tua lembrança pequena, de algo que não existe. De algo que nem insiste. Como a foice no mato, desfaça teu barato!Que logo já é sono. Revira nessa cama dura!
Eu vejo o interior. Eu sinto a alma, que também deveria estar lá. Enchergas? Isso te cansa? E a quem isso importa?
Aos poucos teu cansaço fenece. Tua ilusão adoece, enfraquece. E de repente, naõ mais que de repente, aquele instante de covardia que te sustenta, cai. Cai e padece.
Retorna ao mundo, anjo infeliz! Cuida do teu nariz, que desse modo não serás lembrado! Deixe enforcados todos os querubins!
Esse sopro mal amado, filho desalmado, teu âmago desolado, mais tem é que ficar aí.
Corre! Corre que a vida segue. Prossegue, persegue...
Corre que um dia vai. O rumo chega, ou não. Porém só vês o hoje! O hoje cega. O hje chora. O hoje cega.
A vida está lá. O resto, não.

InSePtOs


Nem é meu, mas queria que fosse. Legal pacas.

Ah, claro, muito útil. E o que é, então?



"Parecem rochas,mas são ninhos de cupins.
Parecem frutos, mas são colméias.
Parecem nuvens, mas são enxames.
Parecem longe, mas são pequenos.
Parecem mortos, mas estão quietos.
Parecem terra, mas estão vivos. Parecem letras nos livros. Parecem inofensivos.
Parecem grandes, mas estão perto.
Parecem lerdos, mas estão quietos.

Parecem ser...

Mas são INCERTOS."

terça-feira

Mafagafagos (mefistófeles fosfalecídeos ferruginosos)

Então, eu lembrei que as coisas não são difíceis.
Então, eu lembrei as coisas apenas são
Então, eu parei. Não porque podia. Mas por precisar.
Lembrei que é nem tanto à terra, nem tanto ao mar.





E indo, indo indo, acabei fondo, e pra finalizar no melhor estilo
''que porra é essa??", achei isso: grande pra caráleo e dá preguiça de ler







(...)Nem reza de padre de boa vida dá jeito.

Nem rio sem vau, nem geração sem mau.

Nem ruim letrado, nem ruim fidalgo, nem ruim galgo.

Nem sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda sem preguiça.

Nem sábado sem sol, nem moça sem amor.

Nem sábado sem sol, nem moça sem amores.

Nem sabe amarrar o focinho a um porco.

Nem Santo Antônio com um gancho.

Nem sapateiro sem dentes, nem escudeiro sem parentes.

Nem sapateiro sem dentes, nem nobre sem parentes.

Nem sempre a árvore frondosa dá fruta saborosa.

Nem sempre aquele que dança, é que paga a música.

Nem sempre aquele que dança, é quem paga a música.

Nem sempre casa quem desposa.

Nem sempre dança quem paga a música.

Nem sempre é conveniente dizer inteiramente a verdade.

Nem sempre florescem os lírios.

Nem sempre galinha, nem sempre rainha.

Nem sempre galinha, nem sempre sardinha.

Nem sempre grandes cargas trazem grandes lucros.

Nem sempre há rabo de sardinha.

Nem sempre o diabo é tão feio como o pintam.

Nem sempre o diabo está ao pé da porta.

Nem sempre o diabo está atrás da porta.

Nem sempre o forno faz rosquilhas.

Nem sempre o homem está de lua.

Nem sempre o homem está de vez.

Nem sempre o que é legal, é moral.

Nem sempre o que luz é ouro.

Nem sempre o que parece é.

Nem sempre o som de trombetas ressuscita defuntos.

Nem sempre pela cara se conhece quem tem lombrigas.

Nem sempre quem começa, acaba.

Nem sempre quem geme é quem sente a dor.

Nem sempre ri a mulher do ladrão.

Nem sempre se comem os frutos da árvore que se plantou.

Nem sempre seu Lulu toca fole.

Nem sempre sinhá Lili toca flauta.

Nem só a rosa é flor.

Nem só de mel, nem só de fel.

Nem só de pão vive o homem.

Nem só de pão vive o homem, mas também da palavra de Deus.

Nem só galinha, nem só rainha.

Nem só os homens mijam à parede.

Nem só quem é rico vive.

Nem tanto à terra, nem tanto ao mar.

Nem tanto amém, que se dane a missa.

Nem tanto ao mar, nem tanto à serra.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Nem tanto, nem tão pouco.

Nem tanto puxar que arrebente a corda.

Nem tanto puxar que arrebente a corda, nem tão bom que o papem as moscas.

Nem tanto puxar que se quebre a corda.

Nem tanto quedo e mais folguedo.

Nem tão bom que o papem as moscas.

Nem tão calvo que lhe apareçam os miolos.

Nem tão doce que as moscas assentem.

Nem tão formosa que mate, nem tão feia que espante.

Nem tão velha que caia, nem tão moça que salte.

Nem te abaixes por pobreza, nem te alevantes por riqueza.

Nem te fies em vilão, nem bebas água de charqueirão.

Nem toda a água do mar pode esta nódoa tirar.

Nem toda pergunta merece resposta.

Nem toda sede nos leva ao pote.

Nem toda tosse é catarro.

Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.

Nem todas as verdades se dizem.

Nem todas as verdades se dizem, apesar de verdadeiras.

Nem todas as verdades se querem ditas.

Nem todo abismo tem parapeito.

Nem todo branco é farinha.

Nem todo dia é dia santo.

quarta-feira

Um bar de mate

Com essas crises de ultimamente, estive pensando em abrir um negócio. Mas não um negócio qualquer. Buscava pra ele uma originalidade incomparável. Uma loja de confecções ou uma farmácia jamais serviria. Descartei esse ramo. Queria algo popular, de apelo visceral, com um quê apelativo, um matiz simbólico, para uma publicidade poderosa. Devia também ser algo simples e nunca pensado. Uma coisa tão óbvia a ponte de ter sido esquecida. Como o ar por exemplo. Mas como se faz pra se vender algo que se recebe de graça? Eu acabaria em decadência. Seria preciso esperar a chegada da grande idéia.
De repente a grande idéia chiou na chaleira! Um bar de mate! Eureca!
Vai dizer que nunca estranhou que uma cidade gaúcha não tivesse um bar de chimarrão? Já ouvi falar de gente que conheceu até onde Judas perdeu as botas, aliás, que até encontrou as ditas botas; mas bar de chimarrão,viram tanto quanto gaúcho de bombacha lilás.
Encontramos a cuia, a erva, a bomba...Mas chimarrão pra vender, nunca!
Mas pensando melhor, descobri não ter tino para os negócios. Minha brilhante idéia se revelou uma idiotice. Mate é algo que não se compra e nem se vende. Toma-se com a família e os amigos, na casa dos compadres e dos vizinhos, com pessoas conhecidas...
Pagar um mate é uma idéia tão absurda quanto imaginar um peão bebendo água de coco na beira do fogo.
Os gaúchos têm esse triunfo único, um símbolo robusto entre as coisas fora do comércio, algo como a mãe da gente, a água, o ar, a amizade, o amor, o lar, a hospitalidade, o carinho, e a paz. Coisas ainda imprescindíveis mas incomparáveis e invendáveis.
Mate é como escapulário e homenagem: comprar não vale. O sentido está na gratuidade, fazer e ofertar sem quantificar o valor em preço. Basta um abrir-se de porta da alma dos outros, sua pessoalidade de pampa e de vento se revelando à varanda. Ninguém vende mate porque é impossível fazê-lo levando junto a hospitalidade dos amigos e a prosa leviana.
Na roda de mate a subjetividade se enriquece no escambo de pedaços de vida e mundo.
Mesmo que alguém invente um lugar maravilhoso para comprar chimarrão, é um negócio sem futuro. A não ser que consigam oferecer, no cevar do mate, laços de família, presença de amigos, esse jeito de desfiar a vida sem pressa. Neste caso, seu preço seria tão alto que só daria certo em Las Vegas. E em Las Vegas a bebida do momento é champanhe e as pessoas não estão lá para encontrar-se com a família ou achar amigos.
Oxalá, jamais alguém invente um bar de mate! Deixemos os vendedores com acarajé, caipirinha, paella, café...Que os gaúchos continuem servindo o mate puder ser comprado nos bares, já terão mercantilizado os bons sentimentos. Restarão as nuvens e o vento. Isso se alguém não inventar um modo de engarrafá-los.
Recebida a cuia, partilhe o lirismo simbólico da cuia e da erva. Só não mexa na bomba. O lirismo gaúcho não tolera frescuras.