sexta-feira

Definitivo, como tudo o que é simples

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.


Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.


Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Porque sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional..."

quinta-feira

Que venha 2009! (ooigalê!)

O vice-campeonato dói. Consome esforços, rezas, velas de sete dias, promessas, e acaba em frustração. Em especial, quando o título esteve repousando na palma da mão e, feito beija-flor, bateu asas e voou.Foi assim no domingo. A dor de sentir o tri escorrendo pelos dedos podia arrancar-me lágrimas. Após 38 jogos 3420 horas de futebol, das quais foram 17 longas rodadas de agonia na liderança, o Grêmio sucumbiu. E eu junto no barco azul do tricolor. Sucumbi em tristeza e desilusão.

Ainda tento encontrar os três pontos que azedaram meu chester de final de ano, que fizeram a Sidra chocar.Uma derrota para o Flamengo, uma diante o Goiás, um diante do Vitória. Pronto. Três pontinhos no grão em grão, e a minha desejada faixa de campeão. Melhor, a vitória sobre o goiás resolveria tudo. Ou quem sabe se o apito fosse isento. Gol do SPFC em impedimento, pênalti que sumiu, gol do botafogo anulado e por aí foi. De fato, nos anais está o São Paulo hexacampeão de mãos dadas com a minha dor. Choro, mas não adianta =/

De peito doído, pisoteado pela circunstância, tento ver alento na libertadores. O 2009 se avizinha manso,sabedor de seu conteúdo. Como pobre mortal, que se vê imortal na flâmula tricolor, tento prever o futuro, adivinhar a camisa, o capitão que na metade do ano estará erguendo na chuva de papel picado a taça em homenagem aos que libertaram a américa. Se este capitão será Tcheco, envergando a 10 gremista, só 2009 sabe. Essa angústia por uma nova espera passível de ser infrutífera me sufoca, asfixia um coração quase entregue. Minto. Dolorido, abatido e ferido, mas entregue jamais. CORAÇÃO SEMPRE EM RISTE, COM O GRÊMIO ONDE O GRÊMIO ESTIVER.



A mim resta administrar a dor, preparar o peito para outra grande jornada.Quero ver 2008 virar.Aliás, que vire logo. Vivi o ano do vice.Foram muitos ''quase'' para o meu gosto. Quase amor, quase campeão..
Também teve a fórmula 1.Felipe Massa em primeiro, ouvindo o tema da vitória.Quando esteve tudo certo , o motor pifou a três voltas do final ou a mangueira do combustível manteve a Ferrari no box.Quando tudo pareceu perdido, Hamilton virou o sexto, o título ressurgiu do asfalto da interlagos, abriu os braços mas desabou a 500 metros do final. Timo Glock morreu e o campeão Hamilton passou.
C om o Grêmio foi igual.Com 11 pontos à frente do rival cheguei a molhar os lábios com a espuma da cerveja apostada no tri brasileiro, mas acabei coma rdidos martelos de buteco chorando À lá Reginaldo Rossi o casamento da taça com o São Paulo. Foram meses rezando, deixando a macacada de lado, focando meu time. Dizem que a paciência é uma sabedoria. Ser paciente na dor é um martírio, um doutorado de agonia. Espero ter concluído a tese em 2008. Que o ano dos vices vá e venha o dos títulos(amém).
A natureza faz as células e multiplicarem e , assim, renovarem o corpo. Meu coração se regenera de vagar, esperançoso. Ador do título perdido queima, arde como se o sal do desgosto esncontrasse a carne aberta, exposta pela derrota. Mas a ferida fecha, virará cicatriz, a cicatriz, quando bem aproveitada, vira ensinamento(isso vai além do futebol tbm.). Ouvi dizer que é no fracasso amargo que se forja a grande vitória. Assim seja!
;)