quinta-feira

O último da Lista

O Batata não era Batata por acaso. O apelido de colégio carregava a lógica do copo roliço e das bochechas rosadas como os tubérculos que sua mãe cozinhava para a maionese de domingo. Bullyng é coisa moderna. Naquela época de escola todo mundo apelidava todo mundo e ninguém reclamava. Nem quando era tratado como última opção dos times da educação física. O Batata, claro, era um deles.
Um pesdelo. As aulas de matemática nem bem terminavam e a gurizada já começava a quicar a bola. No mesmo ritmo palpitava o coração do Batata, de nervoso. Odiava os perídos de educação física. E não por odiar esporte. Na veerdade ele adorva. Odiava mesmo era ter nascido sem aptidão nenhuma. Como não sabia fazer gol, inventou de atacar de goleiro. Mas não fez sucesso na sombra das traves por que tinha medo da bola. No vôlei, torceu o pulso tentando dar manchete com bola de basquete. A derradeira veio no atletismo. Deu com a cara na areia da maldita pista de salto em distância.
Qualquer atividade que envolvesse passar vergonha na frente dos amigos virava sofrimento. A escolha dos times de futebol de salão então, era de dar pena.

_Maninho, Jair, Cadelão, Rodrivo e Vesgo. Quem sobrou? Ah, o Batata. Espera aí que, assim que o primeiro cansar, tu entra, Batata!

E lá de fora, no fim da lista, ele imaginava ele imaginava as jogada que faria sobre a pista de cimento: recebe pelo alto, mata no peito, mete um chapéu no zagueiro e bate de voleio, em chance pro arqueiro. Só não estufa a rede, porque goleira de esscola pública não tem rede. Esse era o exercício do Batata. Suava de tanto imaginar, enquanto os colegas, tolos, suavam atrás da bola.
Era dura a vida da turma do migué, que sempre dava um jeitinho de conseguir um atestado ou qualquer desculpa pra não passar vergonha an Educação Física. Se a aula fosse na quara, terça à noite tinha reza forte pra chover. Afinal, pingue-pongue era o máximo. Na verade, não, mas cancelava o futebol e era o único esporte em que o Batata conseguia marcar pontos. Ele até criou uma teoria maluca de que os chineses odeiam as aulas de Educação Física. Por isso ganham tantas medalhas no tênis de mesa.
Quando cresceu, o Batata engrossou o coro dos que dizem que é perda de tempo torcer por um time de futebol.

_São onze barbados, muito bem pagos que não sabem nem meu nome e no início do mês não vão pagar as minhas contas. Humpf!_ esnoba.

Já ouviu esse discurso não é mesmo? Balela. Trolagem pura. Pode saber que vem de alguém que na infância foi um gordinho tímido esquecido na reserva dos times escolares. É recalque. Um fundo de frustração, quem sabe... Na verdade, o Batata não vai desgrudar os olhos da televisão nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro _como não desgrudou desde a primeira rodada. E vai torcer pelo figueirense, mesmo que não tenha mais chance de título, porque ele é o único desses lá da frente que se parece com um gordinho tímido que sofreu bullyng.
Chamam isso de vingança.

Mas azar.

Nunca consigo deixar meu blog numa só linha de temas. Ou de estilo de postagens. Tem dias que tem cara de tumblr, dias que tem cara de twitter, dias que tem cara de diário, e dias que tem cara de pagina de cronista [modéstiabem longe de mim]´, sem contar, nos dias que parece pagina do vagalume, com suas letras de música...


O fato é que, o único significado disso, é que é apenas um reflexo de estado de espírito.

Eu queria saber

(...) o nome de todas as árvores.
Ou, me daria por satisfeita por saber só o daquela cheirosa, que perfuma meu trajeto todas as noites.
Que rico cheirinho de dias felizes! :3

Algo que lembra boas lembranças diminui o cansaço da caminhada.
[/arco-íris]

quarta-feira

"Ando tão sem vontade de tantas coisas


que se pudesse dormiria por três dias."

"Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho,


(...) As belezas que se mostram sem fazer suspense. As afeições compartilhadas sem esforço. As vezes em que a vida nos tira pra dançar sem nos dar tempo de recusar o convite. As maravilhas todas da natureza, sempre surpreendentes, à espera da nossa entrega apreciativa. A compreensão que floresce, clara e mansa, quando os olhos que veem são da bondade. Abençoados sejam os presentes fáceis de serem abertos. Os encantos que desnudam o erotismo da alma. Os momentos felizes que passam longe das catracas da expectativa. Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente. Os diálogos que acontecem no idioma pátrio do coração. Abençoada seja a leveza, meu Deus. "

"Viva as válvulas de escape


(...) que lamentavelmente não gozam de boa reputacão. Não sei quem inventou que é preciso ser a gente mesmo o tempo todo, que não se pode diversificar. Se fosse assim, não existiria o teatro, o cinema, a música, a escultura, a pintura, a poesia, tudo o que possibilita novas formas de expressão além do script que a sociedade nos intima a seguir: nascer-estudar-casar-ter filhos-trabalhar-e-morrer."

A beleza é uma graça que o tempo leva


(...) Já o caráter, o tempo aprimora."

"As coisas vão dar certo


(...) Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz - se não tiver, a gente inventa."

"Não vivemos exatamente o que sonhamos,


vivemos o que cativamos, o que nos foi guardado, o que merecemos. Geralmente sofremos quando esperamos algo de alguém; o ideal é não esperar nada de ninguém, e se surpreender com cada ato, cada inesperado tão esperado ocultamente. Esquecemos que estes são humanos, e como tal, erram. Todos nós somos felizes e pra todos nós o sol continua brilhando. Devemos saber perder. Devemos viver e aproveitar o que nos foi oferecido, sem mais demais, e apesar de todos os apesares."

Quando se quer bem uma pessoa;


(...) a presença dela conforta. Só a presença.Não é necessário mais nada."

"Ela sorria por que sabia que chorar não adiantaria.


(...) Ela sorria porque ela queria disfarçar. Estava cansada de ter que dar explicações de tudo que acontecia em sua vida. Não queria contar os seus problemas, não queria ter problemas, não queria se importar."

"Bonita mesmo somos nós quando ninguém está nos vendo.


(...) Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.”

Não somos apenas aquilo que pensamos ser

(...) Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos 'sem querer'."

Mas é preciso ter manha

(...) É preciso ter graça.
É preciso ter sonho sempre.
Quem traz na pele essa marca,
possui a estranha mania de ter fé na vida.”
(Milton Nascimento)

De aniversário.


“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
Fazendo-a funcionar no limite da exaustão

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra adiante vai ser diferente…

… para você,
desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.


Para você,
desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.


Para você neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.


Gostaria de lhe
desejar tantas coisas
mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada
minuto, rumo a sua felicidade!”

quinta-feira

Me soa como

coisa de velho poeta tarado que quer pegar menininha. Mas o juízo não deixa.


Mas é tão... triste.

Logo, achei tão lindo!

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada
.





Em negrito, meus trechos favoritos

Eu queria ter escrito isso (também)


É muito bonito sabe? Daquelas coisas bem verdade, bem bonito, bem poético... e tal.




A Felicidade

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

Fazendo jus ao estado espiritual de hoje

Vinicius, seu lindo.

Cada poema, tem meu trecho favorito.

O que faz com que gostemos das coisas? Ainda que tais não tenham nada a ver com nossa vida, ou nosso cotidiano, certas coisas insistem em atrair nossa atenção, em fazer que nos afeiçoemos ao abstrato, como se fosse a coisa mais íntima que existe...


Esse aqui, imagino que seja desses amores tipo gato e rato.

"E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada."


É meu trecho.
Sou possessiva com as coisas que gosto.

SONETO DO AMOR MAIOR


Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.


E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.


Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo


Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

Talvez...


Hoje eu tenha acordado meio romântica. E num estado de lentidão suprema. Talvez seja a iminência de um verão longo e modorrento. Talvez a saudade. Talvez seja algo só meu.

Talvez