quinta-feira

Bem rosa

Minha unha quebra, e quero que a minha vida acabe. Bad hair day, e desejo não sair de casa. Roupas, sapatos e maquiagens, e meu ego lá em cima. O delírio que um chocolate faz por mim na TPM, nenhum homem nunca conseguiu cometer. Amo rosa, vermelho e roxo. Me sinto um pinto molhado na chuva, e a detesto, me deixa triste. Converso animada com amigas sobre cores, cortes e estilos de cabelo. Não corro de baratas,mas acho lesmas um nojo. Tenho algumas frescuras. Me criei vendo os desenhos da Disney, amo contos-de-fadas, princesas felizes no happy end, e amor em primeiro lugar. Aquela vida que nos ensinam de trabalho, dinheiro, família, filhos e tal. Me comovo até com comercial de dia das mães, e choro na maioria dos filmes. Não entendo absolutamente nada sobre canos, válvulas e resistência de chuveiro - e não faço a menor questão. Escuto músicas melosas na fossa, e animadas quando assim me encontro. Gosto de futebol, mas sou uma negação com os pés, e os uniformes não caem bem em nós damas, convenhamos... Sou toda letras, literatura romântica e inspiradora. E repugno números.

Diante desse balaio de feminices, e audaciosa que sou, me arrisco a contradizer a letra famosa de Rita Lee, Pagu: não sou mais macho que nenhum homem. Entre um par de peitos, cintura fina e ancas largas, acredito que nem mesmo que quisesse, alguma masculinidade brotaria em mim. Gostaria de poder trocar eu mesma meu chuveiro, ou jogar futebol com perfeição; mas prefiro cozinhar o almoço, enquanto ele corta a grama. Adoraria conseguir abrir sozinha uma lata de pepino; porém, nada é melhor do que o sorriso dele no rosto, por se sentir útil. Não confundam, não sou fútil.Mas estou longe de ser, tampouco, machista. Apenas, acredito que a essência da mulher tem se esvaido; ficado esquecida, enquanto a independência e os salários aumentam - e a feminilidade, caindo por terra. Claro que, obtemos iguais capacidade do que as criaturas do sexo oposto. É evidente, que somos melhores, e até mesmo, mais inteligentes, sensíveis e dinâmicas. Porém, temos que operar tudo isso, e não sair do salto - no mínimo 10, de preferência. Nada como chorar num filme, e a manga do blusão dele oferecida, para enxugar suas lágrimas infantis.

Ser mulher não tem preço. Se sentir feminina, menos ainda. Yin e Yang, não se complementavam por serem tão diferentes, e um masculino, enquanto o outro, era do sexo oposto? Pelo que eu entendo, sim. Dentro de nós, reencontramos essa essência libertadora, guerreira e que quer lutar por um lugar ao Sol. Sou também assim. Vou com garras, vontade, corpo e idealização ao que é de meu interesse. Porém, sem esquecer meu rímel, sutiã e meia-calça.
E essa história de macho, sinceramente, não é pra mim. Por mais que a estabanadice e peculiaridades sejam típicos meus, mais másculos que eu, estão todos que entre as pernas tem algo que eu não possuo. Não sou a favor de ideologia alguma, nessa pauta. Apenas, quero continuar sendo vista como mulher, guria, boneca, princesa. E deixar a caixa de ferramentas lá em cima, no alto do armário: onde nem eu alcanço.



[Devidamente modificado, mas se gostou, tem mais no blog da Camila Praier ;D]

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