quarta-feira

E.T de Guarda-chuva

Odeio guarda-chuvas. Já perdi a conta de quantos perdi. Ou melhor, esqueci em algum lugar. E ninguém volta a lugar algum para pegar um guarda-chuva. Em qualquer esquina você compra outro por dez reais. Sem falar da parte de carregar o guarda-chuva. Odeio.
São mais ou menos como as borracharias. Sempre iguais. Não evoluem. Desde o tempo de Cleópatra lá estão eles. Iguaizinhos. Hoje em dia tem uns que a gente dobra-dobra-dobra e cabe até em bolsa de mão. Mas o trabalho que dá para dobrar e depois desdobrar é sempre mais lento do que a chuva. Depois que abrem ficam todos iguais. Tem uns que se aperta um botãozinho e ele se abre automaticamente. Mas, depois de abertos, são iguais.
O guarda-chuva é do tempo das galochas e do chapéu na cabeça. Nas casas, logo na entrada, tinha um móvel só para eles: o chapéu, a galocha e ele, o guarda-chuva. Como os outros dois objetos sumiram, o móvel também. Agora tu vai fazer uma visita e não tem lugar para ele. Fica por ali, pingando. E, geralmente, na hora de ir embora ele não está mais lá. Sumiu.
Era aqui que eu queria chegar: os guarda-chuvas somem. Mesmo dentro da sua própria casa. Sempre que tu precisa dele (se é que tem um), na hora H, cadê?. Vai encontrar o danado num lugar que tu tem certeza que não foi lá que havia deixado.
Agora, se tiver um aí, abra e coloque ao seu lado. O que ele parece? Uma antena parabólica. Não seriam os guarda-chuvas antes parabólicas estrategicamente colocados na nossa cultura (há séculos) para observar o nosso comportamento? Não seriam os ETs que mandariam as chuvas para nos observar na hora do desespero? Aquela varetinhas de ferro, por exemplo, são para captar nossos pensamentos. E, se você está sozinho, dentro daquela antena, indo para algum lugar, alguma coisa está pensando. E as varetinha captando os seus pensamentos. Quando estamos em dois ficamos só rindo, já notou? Tá molhando do meu lado, vira mais pra lá, ih, tá pingando no meu ombro. Os ETs devem achar que pares de namorados só conversam isso. Tudo bobo.
Outro motivo para que eu pense nesta hipótese é o desaparecimento deles. Tu, por exemplo, quantos guarda-chuvas já teve na vida? Dezenas? Centenas? Onde foram parar? Onde andarão antenando agora? =)
Por exemplo: aquela pontinha de aço que eles têm em cima, é ou não é uma anteninha?
Já os guarda-sóis também são obras de ETs, mas de uma civilização que só pensa em sexo. Colocaram aqui na Terra para observar as mocinhas nas praias. São aparelhos mais sofisticados, necessitam ter parte deles enterrada no solo, para que o contato com a Terra seja mais completo.
Já as sombrinhas são de ETs românticos, do século passado, que gostam de captar apenas papo furado de terráqueos passeando em jardins, jovens noivos dizendo juras de amor e meninas-moças (ainda existe isso?) na pracinha do interior a piscar seus juvenis olhos.
Cuidado portanto com estas antenas todas. Não falem nada enquanto estão sob a proteção delas. E quando o seu guarda-chuva sumir não se culpe. A culpa não foi sua. É que ele não tinha mais nada a saber sobre ti. Compre um novo. Preto, de preferência, porque os coloridos e quadriculados são de ETs gays. E aquelas varetinha podem virar a sua cabeça.

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